Nyla Stone, uma artista virtual criada com inteligência artificial, ultrapassou 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify e se tornou alvo de uma disputa com uma influenciadora venezuelana que reproduz sua aparência e sua estética nas redes sociais.
A cantora de soul e blues em espanhol surgiu em fevereiro de 2026. Em menos de sete meses, ganhou projeção no TikTok, no Spotify e no YouTube. Seu principal sucesso, “Ahora soy mi prioridad”, foi lançado em 8 de maio e passou a ser usado em vídeos sobre amor-próprio, incluindo gravações de jovens que revelam às mães que a artista não existe no mundo real.
Como o projeto funciona
Os desenvolvedores apresentam Nyla Stone como um projeto independente que combina criação artística com ferramentas de inteligência artificial para produzir vozes e instrumentos. As letras, afirmam, são escritas por humanos a partir de emoções reais. Nos créditos do Spotify, aparece Desiré Perea Garrido como compositora e produtora.
A imagem definitiva da personagem foi consolidada desde maio. Nyla é representada como uma mulher de cabelos pretos e olhos claros, geralmente em preto e branco. Como não é uma pessoa e não realiza apresentações ao vivo, seus criadores também alertaram os fãs sobre a venda de ingressos falsos para shows.
A controvérsia começou quando seguidores identificaram semelhanças entre Nyla e Fer Colalask, criadora de conteúdo venezuelana que vive no Chile. A influenciadora passou a publicar vídeos com a estética da cantora virtual e a fazer lipsync de suas músicas. “Eu só achava engraçado”, disse.
Reclamação e efeito nas redes
Os responsáveis por Nyla Stone enviaram uma mensagem direta a Fer, afirmando que a falta de esclarecimento sobre a semelhança poderia causar confusão. Eles questionaram o uso da identidade e do nome do projeto e pediram que ela interrompesse as publicações, com a ameaça de recorrer a advogados para proteger a marca e o projeto.
Fer respondeu que não pretendia lucrar com os vídeos e que o conteúdo era humorístico. Também afirmou que os usuários não confundiam sua identidade com a da cantora, já que mostrava como havia se maquiado para ficar parecida com a personagem e usava outro nome de usuário.
Ainda assim, o consumo fragmentado nas plataformas pode fazer com que uma pessoa veja apenas um vídeo, sem conhecer o restante do conteúdo. As plataformas vêm identificando artistas que são criações de inteligência artificial, mas as etiquetas nem sempre são observadas. A reclamação acabou ampliando a visibilidade da influenciadora, em um efeito conhecido como efeito Streisand.







