SÃO PAULO — A jornalista Luz Reyes, fundadora do Efecto Cocuyo, afirma que não vê possibilidade de uma transição democrática na Venezuela enquanto o governo estiver sob tutela dos Estados Unidos. Ela deixou o país após relatar ameaças de Diosdado Cabello, atualmente ministro do Interior.
Reyes disse que o risco de detenção para jornalistas diminuiu, mas que o acesso a informações oficiais continua bloqueado. Ela afirma que o Efecto Cocuyo e outros 64 meios de comunicação não conseguem consultar dados públicos, incluindo um acordo com uma empresa dos EUA para exploração de petróleo.
A jornalista também questiona a quantidade de presos políticos libertados, o número de vítimas dos terremotos e a administração dos recursos do petróleo. Para ela, a falta de transparência permanece como política de Estado.
Captura de Maduro
Reyes deixou a Venezuela depois de considerar que as ameaças contra ela passaram a representar um risco concreto de prisão ou ataque por agentes ligados ao poder. Segundo seu relato, muitas pessoas ameaçadas acabavam detidas.
Ela afirma que esperava um possível ataque ao território venezuelano, mas não a captura de Nicolás Maduro. O líder chavista foi capturado por forças militares dos EUA em 3 de janeiro, quando começou um período de tutela de Washington sobre o governo venezuelano.
Na avaliação da jornalista, a intervenção não indicou um caminho democrático. Ela comparou a possibilidade de uma transição pela força ao processo ocorrido no Panamá após a queda de Manuel Noriega, em 1989. Depois de uma declaração de Donald Trump em Washington, concluiu que o episódio não tinha relação com democracia.
Disputa pelo futuro do país
Reyes afirma que a atual relação entre o governo venezuelano tutelado e a administração dos EUA pode reduzir o interesse americano em promover uma mudança de governo. Ao mesmo tempo, diz que parte da população considera a troca de governo necessária para alterar a situação do país.
Ela também critica a disputa entre oposição e chavismo. Na avaliação da jornalista, os dois grupos agem como se não existisse um tutor capaz de tomar decisões e impô-las, mesmo contra os interesses da Venezuela.
Reyes defende um governo de transição para estabelecer bases democráticas. Ela associa esse processo à eleição de 28 de julho de 2024, na qual Maduro alegou ter vencido. Para a jornalista, o governo desconsiderou a soberania popular naquele momento e depois precisou entregar a soberania nacional. “Temos um país destroçado”, afirmou.





